Pular para o conteúdo principal

As águas do Rio São Francisco não podem ser disponibilizadas como objeto de negócio afirma deputado


Boa parte dos debates e discursos realizados, nesta quarta-feira (06), na Assembleia Legislativa, focaram a proposta do Ministério de Minas e Energia de privatização de parte da Eletrobrás. Até aliados do atual governo criticaram a medida enfatizando a fragilidade que isso causaria na soberania nacional. O deputado estadual Jeová Campos (PSB), um dos que se pronunciou a respeito do tema, foi ainda mais enfático: “As águas do Rio São Francisco não podem ser disponibilizadas como objeto de negócio”, disse ele.

Para o parlamentar, esse debate não pode ser reduzido a uma questão de privatizar ou não privatizar. “Nós não temos condições políticas de privatizar um rio, mais ainda quando nós dependemos deste rio. Hoje, 40 cidades da Paraíba, sem falar no Vale do Piancó, dependem do Rio São Francisco e outras tantas no Nordeste. Nós precisamos que Coremas seja alimentado pelo Rio São Francisco. Então, como vai se falar de venda da Chesf se o rio está envolvido”, indagou ele.

Segundo Jeová, o movimento contrário a essa privatização merece não apenas seu apoio e solidariedade, mas de todos que defendem a soberania nacional. “Essa questão tem tudo a ver com a minha linha de atuação, mas, independente disso, esse debate não cabe nenhuma luta política partidária, porque trata-se de uma questão de soberania nacional, porque água não pode ser objeto de negócio e de venda. Água é indispensável”, disse o parlamentar, que elogiou a iniciativa do presidente da ALPB, deputado Gervásio Maia Filho, de ter chamado a Casa para fazer esse enfrentamento político.

Jeová fez ainda duras críticas a Michel Temer e enalteceu que ao propor a privatização da Eletrobrás o atual governo não está pensando nos interesses nacionais. “De fato, propor algo nessa linha, quando se é presidente da república, significa que não se está pensando no conceito de nação, de independência, não falo nem de autonomia, é de soberania nacional mesmo. A água que corre no rio é indisponível, ela não pode ser disponibilizada em hipótese nenhuma para negócio. Eu posso dizer com convicção que não terá nenhum sentido continuar na luta pela transposição se nós abrirmos mão deste patrimônio que é do povo brasileiro. Nós não podemos, de jeito nenhum, permitir isso”, reiterou o parlamentar.

O deputado Renato Gadelha, presidente da Frente Parlamentar da Água da ALPB, cujo partido é aliado do governo Temer, reiterou que nessa questão, há divergências de pensamento. “Mesmo aliado, temos questões que nós não podemos concordar e essa é uma delas porque trata-se de um assunto de segurança nacional e nós não podemos deixar as hidrelétricas, os grandes mananciais e reservatórios do país na mão de terceiros, independente de serem brasileiros ou estrangeiros. Sou contra esse pensamento maléfico de tentar privatizar essas instituições que são necessárias ao desenvolvimento do Brasil. A geração de energia e outras entidades que fazem parte do patrimônio nacional e que servem à população jamais deveriam ser privatizadas”, disse Renato Gadelha.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Por que 145 pessoas que estavam na mesma situação jurídica de Lula tiveram direito de candidatar-se e a ele isso foi negado? questiona Jeová

“Em 2016, 145 pessoas foram candidatas e estavam na mesma situação jurídica de Lula e se candidataram sob efeito de liminares, liminares essas concedidas pela Justiça eleitoral e pelo Supremo Tribunal Federal e tiveram seu direito preservado. Destes 145, 98 foram eleitos e continuam a exercer seus cargos até hoje, sob efeito de liminares, mas não tiveram seu direito de poder colocar seus nomes para que o povo os escolhessem. Por que foi diferente com Lula?”, questionou hoje (12), o deputado estadual Jeová Campos (PSB), durante discurso na tribuna da Assembleia Legislativa da Paraíba. “Ai eu pergunto: por que esses cidadãos tiveram seu direito preservado e por que que Lula não teve? Qual é a resposta do TSE? A verdade, que dói demais, é ver a Justiça atuando como partido e também parte do Ministério Público”, disse o parlamentar. Em seguida, Jeová criticou a postura da Rede Globo e de outros veículos de comunicação que, segundo ele, ‘estimulam essa vergonha nacional e ajudam a d...

Deputado Jeová Campos ocupa a tribuna da ALPB em sua última sessão como parlamentar para fazer agradecimentos

Titular de três mandatos na Assembleia Legislativa da Paraíba, sendo os dois últimos consecutivos, e autor de 1.036 proposições, muitas das quais que impactaram positivamente e diretamente a vida de muitos paraibanos, o deputado Jeová Campos (PT) participou, nesta quinta-feira (26), de sua última sessão legislativa como detentor de mandato popular. E ao invés de fazer um discurso de prestação de contas, ele preferiu concentrar sua fala em agradecimentos e em reforçar a coerência de sua trajetória política. “Subo à tribuna desta Casa, encerrando mais um ciclo em minha vida, muito maior do que entrei em 2015. Honra-me muito, sendo uma pessoa do povo, que veio da roça, que só estudou em escola pública e que para poder sobreviver na cidade foi preciso vender alho nas feiras livres durante muitos anos, mas, que conseguiu chegar aonde chegou e se despedir desta tribuna de cabeça erguida. Olho para trás e vejo que atuei em sintonia com minhas convicções políticas e sendo coerent...

"A vitória da Imperatriz, que enalteceu a riqueza da cultura nordestina, mostrou a força de nossa gente para o mundo", afirma Jeová Campos

Sertanejo, nordestino, conhecedor da riqueza cultural do Nordeste, além da história do cangaço, o ex-deputado Jeová Campos vibrou muito com a vitória da escola de samba Imperatriz Leopoldinense, que conquistou o título de campeã do Grupo Especial do carnaval carioca, este ano, com um enredo inspirado nos cordéis e na história de Lampião. “A vitória da escola de samba de Ramos se estende também aos nordestinos e à rica cultura artística e popular tão presentes em nossa região”, disse Jeová. O enredo da Imperatriz foi inspirado nos cordéis e mostrou a Chegada de Lampião no Inferno e O grande debate que teve Lampião com São Pedro, de José Pacheco. O ex-deputado lembra ainda que a escola formada, principalmente, por pessoas do subúrbio carioca e do Complexo do Alemão teve um desfile impecável. “Os carros alegóricos, o colorido, os personagens, o enredo, as fantasias, tudo estava muito lindo e fiel a riqueza cultural do Nordeste”, destaca ele, lembrando que até a filha de Lampião, Expedita...